“Meu terceiro contato com livros da Jane Austen, e com certeza o mais difícil. Apesar de não ser exatamente empolgante, Mansfield Park é um excelente retrato de época. O enredo e desenvolvimento de personagens acabam ficando um tanto quanto "sacrificados" em favor da "moral da história", sobre as conseqüências das maneiras de se educar. Fanny é uma protagonista da qual gosto com reticências, pois é mt tímida e submissa. A situação em q ela se encontra é bastante delicada, e dá pra dar um desconto, mas mesmo assim deixa um pouco a desejar... contudo, no contraste com as outras mulheres q aparecem ao longo da obra, vemos q ela é uma pérola de princípios morais e a culminação disso com o reconhecimento dela, principalmente por parte do tio e da tia Bertram, é excelente.
Mesmo não tendo tanto da ironia de alguns outros trabalhos, e apesar da "devagarinheza" da trama, nesta obra a escrita de Austen brilha sem dúvida alguma, especialmente nas caracterizações de personagens, seja por meio da descrição de precisão cirúrgica ou dos diálogos. Os comportamentos q ilustram e formam caráteres são uma delícia, e delineiam tipos q ainda encontramos muito por aí. A tia Norris, por exemplo, é maravilhosamente odiosa, e imagino q em quase tds as famílias ou grupos exista alguém assim (infelizmente). O desfecho é bem moralista mas dá uma certa satisfação interna, talvez não tanto pela Fanny, mas por Tom, Julia, Susan e tia Norris + Maria. A estadia da Fanny com sua família, muito decepcionante e um episódio q dá margem a muuuuita reflexão, me deixou um tanto quanto insatisfeita de não ter nenhuma informação sobre o q aconteceu com eles no final. Aliás, o livro perdeu um tanto com aquele final reportado pela narradora, eu gostaria de ter visto um pouquinho os diálogos e as expressões de todos em face de tanta reviravolta que não deve ter sido de fácil digestão.
Mansfield Park é um pouco longo e tem alguns pontos problemáticos, mas tem muitos outros excelentes e de forma geral diverte bastante.”