“É difícil explicar o que achei. Um livro bom, mas com um quê de dramático que poderia ser diferente. O Doryan é um grande saco de bode, muito chato e cheio daquelas frescurinhas dramáticas nas quais eu não costumo ver muita graça. Entretanto, isso de alguma frma se encaixa no contexto, chega a fazer sentido quando certas coisas acontecem no livro. Eu diria que o melhor são as maravilhosamente detalhadas descrições do narrador, os momentos de clímax em relação ao quadro e o Lord Henry, uma personagem muito legal.
Como o livro é focado mais em diálogos, toda a graça do Lord está nas coisas que ele fala. Outras personagens também falam bem aqui ou ali, mas essa se supera!
Ainda não cheguei ao fim, mas digo que é um livro que jamais desencorajaria alguém a ler. Não está, entretanto, na minha lista de preferidos ou principais recomendados. Isso porque eu preferiria que tivesse sido conduzido de outro modo. Talvez uma degradação mais lenta e psicológica da personagem principal tornasse o livro recheado de genialidade. Mas os acontecimentos foram bruscos e Wilde perdeu uma boa oportunidade quando passava o tempo falando de supérfulos que agradavam Doryan. É uma ótima leitura para quem gosta de pensamentos ácidos e se entende bem sentimentalismos um pouco radicais.
Seguem algumas citações bacanas do livro:
"Use a capacidade que tens. A floresta ficaria silenciosa se só o melhor pássaro cantasse."
"Oh! Os irmãos! Não ligo para os irmãos. Meu irmão mais velho teima em não morrer, e os mais novos dão a impressão de querer imitá-lo."
"O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela"
"As mulheres vulgares nunca excitam nossa imaginação. Estão limitadas ao seu século. Não há magia que possa transformá-las. Pode-se conhecer a sua mente como se conhecem os seus chapéus. Podemos encontrá-las sempre. Não há mistério em nenhuma delas".
"Você gosta de todo mundo, portanto, é indiferente a todos."
Não consegui (claro) caçar todas as melhores pelo livro, mas fica aí um pouco do que encontrei. Enfim, um livro com passagens que me desagradam e outras que me agradam. Com certeza não se pode dizer que é mediano em alguma coisa. Além do mais, tem bons trechos que renderiam discussões interessantes.”
Bagrong wrote this review Sunday, February 3, 2008.
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